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Salão Parceiro: como funciona, quais são as regras e como evitar problemas

Entenda como funciona o Salão Parceiro, assim como as regras para profissionais parceiros, emissão de NFS-e, tributação e cuidados trabalhistas.

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Salão Parceiro: como funciona?

O modelo de Salão Parceiro foi criado para formalizar a relação entre salões de beleza e profissionais que atuam de forma independente, como cabeleireiros, barbeiros, manicures, esteticistas, depiladores e maquiadores.

A modalidade foi instituída pela Lei nº 13.352/2016, que alterou a Lei nº 12.592/2012 e passou a permitir uma relação de parceria formal entre o salão e o profissional.

Na prática, o profissional deixa de atuar de maneira informal e passa a ter sua própria regularização, enquanto o salão fica responsável pela estrutura e pela centralização dos pagamentos realizados pelos clientes.

Mas atenção: não basta simplesmente dividir o valor dos serviços. Existem regras específicas para que a parceria seja caracterizada corretamente.

O que é um Salão Parceiro?

No modelo de Salão Parceiro, o estabelecimento mantém uma parceria formal com profissionais que prestam serviços de beleza de forma independente.

Entre as atividades que podem participar desse modelo estão:

  • Cabeleireiro;
  • Barbeiro;
  • Manicure e pedicure;
  • Esteticista;
  • Depilador;
  • Maquiador.

Um dos principais pontos é que o profissional-parceiro deve possuir CNPJ próprio e manter sua regularidade fiscal. Além disso, o MEI é uma das opções mais comuns para esses profissionais em razão da tributação simplificada.

O contrato de parceria é obrigatório

Esse é um dos pontos mais importantes para quem pretende utilizar o modelo.

A parceria deve ser formalizada por escrito e antes do início da relação. O contrato deve estabelecer claramente as condições da parceria, incluindo a divisão dos valores e as responsabilidades de cada parte.

Alguns pontos que devem ser definidos estão:

  • Cota-parte: percentual destinado ao salão e ao profissional;
  • Pagamento: condições e periodicidade dos repasses;
  • Responsabilidades: limpeza, manutenção dos espaços e materiais;
  • Uso dos bens: utilização das instalações e equipamentos do salão;
  • Rescisão: condições para encerramento da parceria;
  • Regularidade fiscal: manutenção do CNPJ e das inscrições necessárias.

A legislação também obriga a homologação do contrato no sindicato da categoria, como medida de segurança jurídica para as partes.

Como funciona a divisão dos valores?

No Salão Parceiro, o cliente realiza o pagamento ao salão, que é responsável por centralizar os recebimentos. Além disso, as partes devem dividir o valor conforme o percentual estabelecido no contrato de parceria.

Por exemplo:

  • Serviço realizado: R$ 100,00
  • 60% para o profissional: R$ 60,00
  • 40% para o salão: R$ 40,00

O salão centraliza o recebimento e posteriormente repassa ao profissional a cota-parte correspondente.

Essa organização financeira é importante não apenas para o controle do negócio, mas também para que a tributação seja calculada corretamente.

Salão Parceiro precisa emitir duas notas fiscais?

Sim. Esse é um dos pontos que mais gera dúvidas. Na operação existem duas notas fiscais com finalidades diferentes:

  1. Salão → Cliente

O salão emite a nota referente ao serviço prestado ao cliente, considerando a operação e a respectiva cota-parte.

  1. Profissional → Salão

O profissional-parceiro emite a NFS-e referente à cota-parte que recebeu pela prestação do serviço.

O profissional não precisa emitir uma nota para cada atendimento. Conforme o material, é possível emitir uma única NFS-e mensal, reunindo as cotas-partes recebidas durante o período, normalmente de acordo com a periodicidade de pagamento estabelecida no contrato.

Na nota do profissional, devem ser observadas informações como:

  • CNPJ do profissional;
  • Endereço;
  • CNPJ do salão como tomador;
  • Descrição e código do serviço;
  • Valor total recebido no período.

O preenchimento pode variar conforme o município, por isso é importante verificar as regras aplicáveis antes da emissão.

Como funciona a NFS-e do profissional-parceiro?

O profissional-parceiro, como prestador de serviços, deve emitir NFS-e.

Desde 1º de janeiro de 2026, a emissão segue o padrão nacional, por meio do Emissor Nacional da NFS-e, conforme a Lei Complementar nº 214/2025.

Por isso, tanto o salão quanto o profissional precisam manter atenção redobrada à documentação fiscal da parceria.

Uma emissão incorreta pode gerar problemas contábeis e tributários, especialmente quando a cota-parte do profissional não é corretamente identificada.

Quanto o Salão Parceiro paga de imposto?

Aqui está uma das principais vantagens do modelo.

O salão não deve ser tributado sobre o valor que pertence ao profissional-parceiro. A cota-parte do profissional é separada da receita própria do salão para fins de tributação, desde que a parceria esteja corretamente estruturada e documentada.

Vamos voltar ao exemplo:

  • Um cliente paga R$ 100,00 por um serviço.
  • Profissional: R$ 60,00
  • Salão: R$ 40,00

Nesse cenário, a cota-parte do salão é de R$ 40,00, que representa a base considerada no exemplo do material para a tributação do salão.

Já o profissional-parceiro é responsável pela tributação referente à sua própria receita.

E se o profissional for MEI?

O MEI é uma alternativa bastante utilizada pelos profissionais parceiros.

Para 2026, o limite anual de R$ 81.000,00, equivalente a uma referência média de R$ 6.750,00 por mês.

Quando o MEI é aberto durante o ano, o limite é proporcional aos meses restantes. Por exemplo, um MEI aberto em julho teria, no primeiro ano, limite proporcional de R$ 40.500,00.

Também é importante acompanhar o faturamento de perto.

Existe uma faixa de atenção entre R$ 81.000,00 e R$ 97.200,00. Acima do limite anual, podem existir consequências tributárias e de enquadramento; acima de R$ 97.200,00, o desenquadramento ocorre de forma imediata e retroativa.

Por isso, o salão deve acompanhar não apenas o próprio faturamento, mas também a situação dos profissionais parceiros.

Salão Parceiro pode ter funcionários CLT?

Sim. A existência de profissionais-parceiros não impede que o salão também tenha funcionários contratados pelo regime CLT.

São relações diferentes e podem coexistir no mesmo estabelecimento. Os funcionários continuam tendo vínculo empregatício e todos os direitos trabalhistas correspondentes.

O problema aparece quando a relação com o profissional-parceiro começa a apresentar características típicas de uma relação de emprego.

Quais cuidados trabalhistas o salão deve ter?

Esse talvez seja o ponto mais sensível do modelo. Uma parceria mal estruturada pode levar ao reconhecimento de vínculo de emprego, gerando consequências e custos retroativos para o salão.

Alguns sinais de risco são:

Subordinação: O salão não deve tratar o profissional parceiro como se fosse um funcionário, dando ordens e fiscalizando seu trabalho da mesma forma que faria com um empregado.

Controle de horário: A exigência de horário fixo de entrada e saída pode descaracterizar a autonomia esperada de uma parceria.

Exclusividade e pessoalidade: A exigência de exclusividade ou de atendimento pessoal obrigatório, sem autonomia, também pode representar um risco para a caracterização da parceria.

Além disso, o profissional deve desempenhar as atividades previstas no contrato e a parceria precisa estar devidamente formalizada.

Salão Parceiro exige organização

O modelo de Salão Parceiro pode ser uma alternativa interessante para estruturar a relação entre o salão e os profissionais de beleza, mas seu funcionamento depende de contrato, documentação fiscal, organização financeira e respeito à autonomia do profissional.

Não basta dividir os valores recebidos pelos serviços. É necessário estruturar corretamente toda a operação para evitar problemas tributários e trabalhistas.

Se você é proprietário de salão de beleza e está pensando em adotar o modelo de Salão Parceiro, ou já trabalha dessa forma e quer verificar se a sua operação está regular, conte com orientação contábil especializada.

A Áurea Contabilidade atende empresas do segmento de beleza e pode ajudar na estruturação e regularização do seu salão.

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